Superbactérias – ameaça catastrófica

Autoridades em saúde na Inglaterra fizeram uma declaração preocupante no dia 11 de março: ” a resistência aos antibióticos representa uma ameaça catastrófica à medicina e poderia significar pacientes morrendo de pequenas cirurgias por contraírem infecções que não possam mais ser tratadas.”  Sally Davies, médica-chefe para a Inglaterra, declarou que existe necessidade de uma ação global para lutar contra a resistência bacteriana e novas descobertas para remédios que possam combater as bactérias mutantes que se tornaram resistentes aos antibióticos.

Na verdade, somente um punhado de novos antibióticos foram desenvolvidos e chegaram ao mercado nas últimas poucas décadas, e existe uma corrida para encontrar outras, já que as bactérias estão progressivamente evoluindo para “superbichos” resistentes às drogas já existentes.  Afirmou Davies “a resistência bacteriana representa uma ameaça catastrófica.  Se não agirmos agora, qualquer um de nós, poderá ir a um hospital dentro de alguns anos, para uma pequena cirurgia e morrer devido a uma infecção comum que não consegue ser combatida com nenhum antibiótico.   E operações de rotina, como substituir uma articulação ou um transplante podem tornar-se mortais devido ao risco de uma infecção.”

Existe uma bactéria, conhecida como estafilococo dourado, ou Stafilococcus aureus Meticilina-Resistente, sigla em inglês – MRSA) que sozinho mata cerca de 19.000 pessoas todos anos nos Estados Unidos – bem mais do que a AIDS – e um número similar na Europa.  Os dados no Brasil, certamente, não são menos alarmantes.

Outras superbactérias estão se espalhando.  Casos de tuberculose totalmente resistente às drogas apareceram nos últimos anos.   A Organização Mundial de Saúde advertiu que bactérias de gonorréia intratáveis estão se espalhando pelo mundo.

Existe uma necessidade premente de preservar o arsenal de antibióticos atualmente disponíveis e de ocorrer um foco no desenvolvimento de novos antimicrobianos.

Uma questão fundamental: os antibióticos só devem ser utilizados quando estritamente necessários, jamais por automedicação.  Deve-se evitar o uso exagerado e, portanto, desnecessário dessas substâncias.  Uma higiene melhor (“lavar as mãos!”) para manter as infecções num patamar mínimo, também é essencial.

Vejamos recomendações úteis:

1)Lave as mãos com frequência, especialmente antes e depois de entrar em contato com pessoas doentes;

2) Jamais  tome antibióticos por conta própria, só se forem prescritos sob orientação médica;

3) A maioria das infecções respiratórias não é causada por bactérias, mas, sim, por vírus sobre os quais os antibióticos não tem efeito;

4) Mantenha as visitas longe dos pacientes infectados.  Aliás, não visite pessoas com doenças infecciosas.

5) Sempre que possível, higienize as mãos com álcool gel.  Mas de preferências lave-as caprichosamente.

6) Reduza ao mínimo as visitas e consultas nos hospitais.

Saúde. Cuide-se!

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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5 respostas a Superbactérias – ameaça catastrófica

  1. ivone delgado diz:

    ah bom tava achando esquisito,nao vinha mais nada , j ia perguntar porque parou ??parou porque ????rsrsrsrsr obrigada sempre leio, posso no comentar, mas to sempre atenta . Obrigada dr.

    Em 18 de maro de 2013 22:52, Sparvolisaude’s Blog escreveu:

    > ** > Antonio Sparvoli posted: “Autoridades em sade na Inglaterra fizeram > uma declarao preocupante no dia 11 de maro: ” a resistncia aos > antibiticos representa uma ameaa catastrfica medicina e poderia > significar pacientes morrendo de pequenas cirurgias por contrarem > infeces”

    • Obrigado Ivone, pelo estímulo. Abraços
      Sparvoli

      • Emilia P. de Barros diz:

        Olá doutor, as informações são de alto valor, mas sempre há alguns questionamentos a fazer:
        Qual a diferença do Boceprevir e Telaprevir, para uso de pacientes portadores de hepatite C, do genotipo 1. UM abraço

      • Cara Emilia
        Tanto o boceprevir como o telaprevir são fármacos de uso recente. Existem várias semelhanças e algumas diferenças essenciais. Ou seja, a resposta é um tanto longa. Pretendo confeccionar um post sobre isso. Ambos funcionam somente no genótipo 1. Obrigatoriamente são utilizados conjuntamente com o PEG-interferon e a ribavirina. Não adianta trocar o boceprevir pelo telaprevir ou vice-versa. Mas para adiantar algo, existem diferenças no modo de usar, na duração do tratamento e nos possíveis efeitos colaterais. Por exemplo, o telaprevir apresenta reações na pele em cerca de 50% dos usuários, eventualmente bem forte e, mais raramente até reções cutâneas graves. O boceprevir provoca um gosto ruim na boca (“disgeusia”) que pode ser bem intenso, dificultando a alimentação. Ambos remédios devem ser ingeridos com alimentos, mas com o telaprevir são necessários 21 gramas de gordura cada vez que tomar os comprimidos. Ambos remédios provocam anemia que podem ser bem intensas e de instalação rápida. Assim, ambos remédios aumentam as chances de cura, mas necessitam cuidados muito intensos por aqueles que os utilizarem.

  2. Flavio Roberto Dias de Oliveira diz:

    , não encontro palavras para agradecê-lo, nesta via láctea, quem sabe em outra dimensão. Meu PhD espelha-se no seu juramento quando de sua formatura em medicina.”SALVAR VIDAS”. Para que Protocolos?? migalhas de governos. Esse faz, a justiça divina através de laudo médico. Obrigado Emilia, obrigado Sparvoli. 12ª semana <12 ui.

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