Fadiga e fígado

Muitas pessoas com doenças crônicas do fígado – hepatopatias crônicas – tem como queixa principal a fadiga.  Fisiologicamente, “fadiga” descreve a incapacidade de continuar funcionando ao nível normal da capacidade pessoal devido a uma percepção ampliada do esforço. Pode ser chamado de esgotamento ou um cansaço muito intenso.

Na verdade, cansaço é uma das cinco queixas mais frequentes dos que procuram os clínicos gerais. O médico deverá pesquisar entre várias possíveis causas o diagnótico dessa queixa. Podem ser doenças cardio-vasculares, doenças autoimunes; doenças pulmonares; doenças endócrinas;doenças musculares e neurológicas; apneia do sono; abuso de álcool e outras drogas; obesidade; depressão e outros distúrbios psiquiátricos; infecções; tumores malignos e, nosso assunto, as doenças do fígado.

A fadiga é um sintoma importante para os pacientes com hepatite C e com doença hepática gordurosa (esteatose e esteato-hepatite). Também pode ser observada na doença hepática alcoólica (hepatite alcoólica e cirrose por álcool), assim como na hepatite B crônica. Na mais rara Cirrose Biliar Primária também pode estar, com frequência, presente.

A fadiga pode ter causas centrais ou periféricas.  Nas fadigas de origem central, pode haver associação ou confusão diagnóstica com a depressão.  Podem ser, em alguns casos, difícil diferenciar se existe um predomínio do fator físico ou do psíquico e em qual extensão cada um participa no problema.  A depressão pode ser uma doença primária, mas pode se desenvolver, simplesmente, como uma consequência das dificuldades de se conviver com uma doença crônica. Serve como instrumento de diagnóstico, quando o paciente com uma doença hepática crônica, com fadiga e aparente depressão, é submetido a um correto tratamento com anti-depressivo e não obtém melhora.  Nesse situação, muito provavelmente o componente físico é a causa fundamental da fadiga.

Na fadiga presente na pessoa com hepatite C crônica, pode ocorrer um sintoma de origem central, como consequência direta da ação do vírus C no Sistema Nervoso Central. O vírus C pode gerar nesses órgãos, quadro com características inflamatórias locais e alterações na neuro-química cerebral.   O componente periférico da fadiga nas doenças crônicas do fígado refere-se a fatores bioenergéticos musculares.  Esse conhecimento abre caminho para terapias de exercício envolvendo a parte muscular do paciente.

A severidade da fadiga não tem relação com a gravidade da doença crônica do fígado. Assim, a melhora da hepatopatia não necessariamente vai melhorar a fadiga.

Nos pacientes com hepatopatia crônica podem ser identificados problemas com a frequência cardíaca e a regulação da pressão sanguínea. O álcool agrava esse mecanismo. Mais um motivo para interromper o consumo da “água que o boi não bebe”.  São fatores que podem ser corrigidos,  ajudando a melhorar a queixa de fadiga.

Saúde.

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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