Boceprevir e telaprevir – cuidando as interações medicamentosas (2)

Todos (equipe de saúde, pacientes, familiares) teremos que estar atentos às importantes interações medicamentosas (“o efeito de um remédio sobre o outro”) desfavoráveis que o uso do boceprevir e do telaprevir podem ocasionar em uso concomitante com outros fármacos.  Além dos remédios que NÂO dever ser usados conjuntamente (veja “post” anterior) existem vários outros remédios com potencial interação medicamentosa, que deveriam ser evitados, ou exigem monitoração constante, alterações nas dose ou uso limitado.   Vamos citar alguns que são muito usados:

  • analgésicos: fentanil, codeína, metadona, tramadol.  Pode usar paracetamol, meperidina, morfina.
  • antibacterianos: claritromicina, clindamicina, eritromicina, isoniazida, ofloxacina, rifabutina, tetraciclinas.   Pode usar aminoglicosídeos, azitromicina, ciprofloxacino, moxifloxacino, vancomicina, trimetoprim-sulfametoxazol, meropenem, dapsona.
  • anticonvulsivantes: clonazepan.  Pode usar gabapentina, lamotrigina, levetiracetam, valproato.
  • antidepressivos. Essa é uma questão importante, pois o próprio tratamento da hepatite C pode induzir depressão, particularmente se a pessoa já tinha história de depressão. Deve-se evitar (ou usar com cautela e monitoração) bupropiona, citalopram, escitalopram, fluoxetina, mirtazapina, paroxetina, sertralina, venlafaxina e trazodona.  Podem ser usados:  amitriptilina (só com o boceprevir, não com o telaprevir), clomipramina, imipramina, maprotilina e tianeptina.  O citalopram, muito recomendado na era da terapia dupla, (PEG+ribavirina), em associação com o boceprevir ou telaprevir,  provavelmente, não ocasionará alteração clinicamente relevante, contudo, pode provocar uma alteração no eletrocardiograma, dose dependente, chamada prolongamento de intervalo QT.  O escitalopram tem seu efeito reduzido pelo boceprevir ou o telaprevir.  Em relação à fluoxetina, pode ocorrer um aumento de seus efeitos colaterais, podendo se considerar uma redução na sua dose ou aumentar o espaçamento.

Atentos! Ou como se diz no escotismo: “Sempre alerta”!

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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2 respostas a Boceprevir e telaprevir – cuidando as interações medicamentosas (2)

  1. Mirian diz:

    Olá professor,
    com a incorporação dos IP (na hepatite C) pelo SUS, quais são os principais questionamentos ou dúvidas que os estudos de utilização desses medicamentos em rotina clínica devem tentar responder?
    obrigada

    • Oi Miriam
      Os questionamentos estão relacionados as indicações do tratamento, aos novos efeitos colaterais e como maneja-los, as interações medicamentosas (que sao muitas!) e a divulgação dessas novas informações. Tudo estimulado pelas novas esperanças de aumento nas chances de cura mesmo em casos considerados difíceis. Um abraço! Sparvoli

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