Hepatite C – desafios da Nova Era de tratamento (2)

No combate da epidemia da hepatite C, o genótipo 1 sempre foi considerado o adversário mais duro a ser derrubado.   A nova terapia tripla (PEG-interferon+ribavirina+antiviral de ação direta, o boceprevir ou o teleprevir) aumenta significativamente a chance de cura e agora é considerada como o novo padrão de tratamento para a infecção pelo genótipo 1.

Entretanto, esses novos antivirais de ação direta, que são inibidores da enzima protease do vírus C, introduzem o potencial para novas interações remédio-remédio, as quais podem alterar o metabolismo e efeito de fármacos administrados conjuntamente.  Essas interações tem o potencial de sabotar a efetividade da terapia contra o vírus C. Além disso, podem resultar aumentos nas concentrações dos inibidores de protease (boceprevir ou telaprevir)  ou nos outros remédios coadministrados que podem produzir toxicidades.  Essas toxicidades poderão forçar a interrupção do tratamento.  Quando a interação medicamentosa reduzir a concentração dos inibidores de protease pode ocasionar redução da chance de destruir o virus.

Devemos lembrar o seguinte:

  • o potencial para essas interações medicamentosas é real e deve ser prevenido ou manejado no planejamento pré-operatório.  Durante o tratamento deve ser mantido a monitoração.
  • Você também deve se informar e permanecer atento durante todo o tratamento.
  • Todas as pessoas da equipe de saúde envolvidas nos cuidados aos pacientes em tratamento devem estar cientes desse fato – a interação medicamentosa pode ser muito intensa.
  • A medida que novos estudos sobre os inibidores de protease forem surgindo, devemos nos manter alertas sobre novas possíveis interações.

Entre as drogas contra-indicadas incluem-se as seguintes: alfuzosin, carbamazepina, fenobarbital, fenitoína, derivados do ergot (dihidroergotamina, ergonovina, ergotamina, metilergonovina), cisaprida, erva de São João (um remédio da flora, fitoterapia), pimozida, drospirenona, sildenafil e tadalafil (quando usados para hipertensão arterial pulmonar), midazolan, triazolan, lovastatina, sinvastatina.  Essas drogas contra-indicadas devem ser interrompidas antes de começar o tratamento com os inibidores de protease, ou trocando-as por uma droga segura, ou interrompendo-as temporariamente, quando possível.   Em todas as consultas deve haver uma conversa sobre o uso de drogas concomitantemente.

Uma informação muito importante: a eficácia dos anticoncepcionais orais (“a pílula”) tem sua eficácia reduzida quando é administrada com telaprevir ou boceprevir.  Deve-se usar dois métodos contraceptivos não-hormonais durante esse tratamento.  Lembre-se a ribavirina é teratogênica (“causa problemas sérios no feto”). Converse seriamente com o seu ginecologista!

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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