Aspirina e a redução na mortalidade por câncer

Outra recente análise de várias pesquisas, envolvendo mais de 50 trabalhos científicos, que usaram aspirina para cardioproteção, encontraram uma redução de 37% nas mortes por câncer entre os usuários.

O estudo de Jacobs e colaboradores analizou 100.139 participantes, a partir de 1997.  Eram usários de aspirina 23, 8% dos participantes do estudo. Mais do que metade dos participante tinham 60 anos ou mais, eram mulheres e quase todos eram brancos. Durante 20 anos de seguimento, aconteceram 5.138 mortes por câncer.  Entre os que usavam aspirina havia uma tendência maior para serem mais informados, ex-fumantes, obesos, assim como  terem uma história de doença cardiovascular e diabetes.  A mortalidade global foi levemente menor mesmo para indivíduos que tinham usado aspirina por menos do que 5 anos.  Os riscos relativos de câncer foram similares para aqueles que usavam aspirina em baixas doses ou aspirina em doses de adulto.  Os que usavam aspirina e nunca haviam fumado tiveram risco menor de câncer do que os ex-fumantes ou os fumantes.  O fumo pode atenuar a atividade anti-plaquetária da aspirina e plaquetas ativadas podem promover metástases (“raízes”) tumorais.

A redução global na mortalidade por câncer foi ocasionada por uma substancial redução na mortalidade dos tumores digestivos e uma pequena, mas estatisticamente significativa, redução na mortalidade  em cânceres fora do aparelho digestivo, os pesquisadores afirmaram.

Os próprios pesquisadores destacaram que seu estudo foi observacional, o que consideraram uma importante limitação de sua própria pesquisa, já que outros fatores de confusão poderiam resultar ou numa superestimação ou numa subestimação dos efeitos da aspirina na mortalidade. Os pesquisadores concluiram que o “benefício relativamente modesto” visto em suas análises poderia significativamente influenciar o balanço de riscos e benefícios do uso profilático da aspirina”.

Por outro lado, o Dr. John Baron, da Universidade da Carolina do Norte, ofereceu uma palavra de cautela, afirmando: “somente porque a aspirina é efetiva isto não significa que ela necessariamente deva ser usada.”  Ele argumentou: “a aspirina é um remédio real, com toxicidade definida.  Como para qualquer intervenção preventiva, os benefícios devem ser balançados contra os riscos, particularmente quando os benefícos são demorados e os riscos podem ser rápidos em ocorrer.”

Entre os riscos que o uso da aspirina pode trazer são observados problemas relacionados com hemorragia digestiva e outros.

Como sempre, converse com seu médico de confiança e, juntos, pesando os riscos-benefícios cheguem ao melhor caminho.

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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