Idosos – a longa lista de remédios

Na longa jornada dos idosos em nosso planeta, as atuais condutas médicas, frequentemente,  empregam vários medicamentos para tratar as enfermidades que essa população apresenta.  Como sempre, o esforço destinado à prevenção é o que tem melhores frutos.  Contudo, por variados motivos, isso nem sempre é possível. Com o surgimento das doenças, surge a necessidade de combatê-las.  Calcula-se que 23% da população brasileira consomem 60% da produção nacional de medicamentos, particularmente as pessoas acima dos 60 anos.   Os pacientes com mais de 65 anos têm 85% das enfermidades crônicas e 30% apresentam três ou mais doenças.  Isso gera um consumo simultâneo de vários remédios.  Se não houver um cuidado atento poderão acontecer problemas como intoxicação medicamentosa no idoso.  A ingestão de doses maiores que as recomendadas pode trazer graves consequências.  O descuido, a negligência e o esquecimento podem ocasionar episódios de intoxicação medicamentosa.   A identificação confusa do remédio, a via incorreta de administração e o armazenamento inadequado podem gerar intoxicação não intencional nos idosos.   Deve-se prestar atenção se a embalagem do remédio é a mais indicada para o idoso, levando-se em conta suas limitações.  Deve-se cuidar eventuais interações medicamentosas com substâncias que o idoso possa estar usando sem o conhecimento do médico e até mesmo de seus cuidadores ou familiares. Pode estar usando fitoterápicos, medicamentos não controlados, sobras de medicamentos que o paciente não deveria mais estar utilizando ou que recebeu de amigos.  Deve-se sempre tentar verificar se o paciente entendeu, aceitou e segue corretamento o tratamento proposto.  Lembrar que, frequentemente, as pessoas se automedicam e alteram as doses recomendadas dos remédios.  Desfaça-se de remédios velhos.  Confira a data de validade do medicamento.  O idoso pode se atrapalhar por questões como isolamento, falta de visão ou audição, falta de memória e, por último mas não menos importante,  baixo poder aquisitivo.  Esteja atento a essas questões! Ofereça-se, gentilmente, para ajudá-lo.  Faça-o com clareza e respeito.

Recordo sempre do caso de uma senhora com pressão alta, que achava que seu cardiologista lhe receitava medicamentos demais.  A bondosa senhora, do alto de seus cabelos brancos, reduzia, por conta, os medicamentos prescritos e não informava ao seu médico.  Quando voltava para consulta, por suposto, a pressão não baixava, o cardiologista, preocupado, aumentava a dose ou acrescentava novos remédios, ao que a querida senhora, assustada com a quantidade de remédios tomava doses pediátricas, e ao voltar para consulta, para desespero do cardiologista, continuava com pressão muito elevada. Ele aumentava as doses e, bem, o ciclo se repetia indefinidamente.  Claro, uma enorme falta de comunicação!

Saúde!

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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