Doença celíaca – o glúten como veneno

A doença celíaca é muito mais comum do que se imagina.  Na verdade, estima-se que um de cada cem indivíduos tenha doença celíaca!   Essa doença afeta particularmente o intestino delgado, órgão nobre da absorção dos alimentos.  Saiba que o intestino delgado, que muitas é subestimado, é um órgão maravilhoso, com uma fantástica complexidade, indispensável para a sobrevivência do indivíduo.  Pois bem, esse órgão tão importante é fortemente agredido quanto o celíaco (o paciente com doença celíaca) ingere o glúten.  O celíaco é uma criança ou um adulto geneticamente predisposto, que ao ingerir glúten, fica com atrofia das vilosidades da mucosa do intestino delgado, causando prejuízos na absorção de nutrientes, vitaminas e sais minerais.

Os sintomas podem incluir diarréia, frequentemente gordurosa (pela má-absorção das gorduras), dificuldades no crescimento e no desenvolvimento (em crianças) e fadiga.   Contudo, apesar de ser devastadora em alguns indivíduos, principalmente nas crianças; ela pode ser notavelmente discreta na maioria, com sintomas mínimos ou ausentes.  Num adulto, às vezes se apresenta apenas como alguma dificuldade de ganhar peso, diminuição de energia (que às vezes o indivíduo até acha que é seu estado normal), anemia por deficiência de ferro, sem perdas sanguíneas aparentes e a pessoa até se surpreende quando recebe o diagnóstico de seu clínico atento. Pode ocorrer diminuição da fertilidade. Várias deficiências vitamínicas – carência das vitaminas A, D, E e K, particularmente.  Contudo, apesar dos poucos sintomas, a ingestão do glúten, pelos celíacos expõe a pessoa a vários riscos significativos ao longo do tempo. Inclusive se constata que o celíaco que segue consumindo o  glúten tem risco mais elevado de tumores no intestino delgado, ao passo que com a dieta adequada esses riscos se reduzem aos níveis normais.

Atualmente, o único tratamente efetivo é uma dieta totalmente sem glúten, por toda a vida.  O celíaco precisa abster-se de comer trigo (o maior problema), centeio, cevada e aveia.  Todo o demais que a natureza oferece pode ser consumido sem problemas.

Saúde!

Sparvoli

Ocorre mais comumente em mulheres, na proporção de 2:1, e é mais comum em parentes de primeiro grau de portadores.

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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