Hepatite C – contaminação

A hepatite C, doença que afeta cerca de 170 milhões de pessoas em todo mundo e cerca de quatro milhões de brasileiros, apresenta várias modos de contágio, mas existe um denominador comum – o sangue! Que nem um vampiro invisível, o vírus da hepatite C(VHC) se utiliza do sangue ou variados objetos que entraram em contato com o fluido sanguíneo para, preferencialmente, se transmitir. Vejamos mais especificamente:

  • uso de drogas injetáveis. Estima-se que, atualmente, esta seja a causa mais comum de infecções agudas pelo vírus C. Grupos de usuários de droga endovenosa podem ter até 70% de contaminados! Também o uso de cocaína intranasal pode passar o vírus C.
  • Transfusão sanguínea: no passado a transfusão de sangue ou de outros produtos do sangue foi um dos fatores principais de transmissão do VHC. Na época, cerca de 10% dos transfundidos podiam adquirir o vírus. Atualmente, os sangues doados são rastreados para o VHC. Isso praticamente terminou com essa via de contágio. O risco atualmente estimado é de 1:500.000 a 1:1.000.000 por unidades de sangue transfundido. Contudo, a recomendação é – todos que receberam sangue antes de 1994 (época que os bancos de sangue passaram a testar para o vírus C) devem ser testados para o VHC.
  • Transmissão sexual: os contatos sexuais em casais estáveis, heterossexuais, monogâmicos praticamente não constituem risco para a transmissão do VHC. É extremamente comum a experiência constatada num casal quando um dos parceiros tem o vírus e o outro não. Assim, a eficiência da transmissão do VHC por contato sexual é muito baixa. Contudo, não existe dúvida que a transmissão sexual possa ocorrer.
  • Transmissão perinatal: o risco de uma mãe com VHC de transmitir para o recém nascido é de 5% ou menos. A cesariana não diminui o risco. Em mães co-infectadas com o HIV o risco sobe para 20%. Importante: não existe evidências que a amamentação seja um risco para infecção entre os filhos de mãe com VHC. Pode amamentar!
  • Hemodiálise: pacientes com insuficiência renal em diálise tem risco aumentado de contágio. Estima-se em 15%.
  • Outras rotas mais raras: tatuagem, piercing corporal.
  • Lesão com agulhas contaminadas: esse risco diz mais respeito aos trabalhadores na saúde. O risco de contaminação após a exposição a uma fonte (pessoa contaminada) com vírus C é estimada em cerca de 3%. A exposição ao VHC em pele intacta não foi associada com a transmissão desse vírus.

Não existe vacina para o VHC. Assim, meu amigo, o cuidado é a única arma! Fuja com todas as suas forças das agulhas contaminadas, especialmente no compartilhamento de drogas endovenosas!

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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