Helicobacter pylori – famoso vilão

Essa famosa bactéria foi descoberta em 1983.  Isso representou uma revolução espantosa na compreensão e no tratamento das úlceras.  Hoje sabemos que o Helicobacter pylori está associado à gastrite crônica, à úlcera péptica, ao câncer gástrico e a um tipo especial de linfoma gástrico chamado de linfoma MALT.  É considerado agente cancerígeno, à semelhança do fumo e dos vírus das hepatites B e C.   O ser humano é o único hospedeiro natural do H.pylori. A prevalência da infecção não é afetada por fumo, álcool ou gênero (sexo do indivíduo).  Existe correlação do H.pylori com o meio familiar, atividade profissional e com níveis socioeconômicos e educacionais baixos.   Contudo, qualquer indivíduo pode ter essa bactéria.  A contaminação é precoce nos países em desenvolvimento: em mais de 60% dos indivíduos ocorre antes dos 5 anos de idade e a prevalência é mais de 80% na população com mais de 65 anos.  A bactéria é adquirida pela boca.  A maioria (98%) dos indivíduos contaminados desenvolve gastrite crônica.  Somente 10% irão desenvolver úlcera péptica. Um percentual ainda menor desenvolverá o câncer gástrico.  Ou seja, a grande maioria dos portadores do H.pylori nunca desenvolverá o câncer gástrico.  Verificou-se que a grande variabilidade nas doenças relacionadas ao H.pylori não depende somente da própria bactéria.  Certamente, características do próprio indivíduo influenciam: sua genética (se tem história familiar de câncer de estômago), sua imunidade, a idade de aquisição da bactéria.  Também fatores ambientais são importantes na maior ou menor gravidade das lesões relacionadas a essa bactéria: condição sócio-econômica, condições higiênicas; ingestão de sal (consumir muito sal parece aumentar  o risco do câncer de estômago – meu amigo esqueça o saleiro!); o fumo; a quantidade de vitamina C ingerida (mais é melhor, principalmente através de uma alimentação saudável e equilibrada!).

Sparvoli

Sobre Antonio Sparvoli

Médico. Gastroenterologista. Mestrado e Doutorado. Professor Titular da Fundação Universidade Federal de Rio Grande.
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